Como calculamos
Cada ação passa por seis modelos clássicos. Cada modelo estima um preço justo por um caminho diferente; o preço justo do precify combina os modelos que se aplicam à empresa com o histórico da própria empresa.
Os seis modelos
Graham
√(22,5 × LPA × VPA)
O preço máximo que Benjamin Graham aceitava pagar: combina o lucro e o patrimônio por ação. Não vale para empresas com prejuízo.
Bazin
Dividendo médio de 3 anos ÷ 6%
Quanto pagar para receber pelo menos 6% ao ano em dividendos, segundo Décio Bazin. Só vale para quem pagou dividendos em 4 dos últimos 5 anos.
Gordon
Dividendo do próximo ano ÷ (custo de capital − crescimento)
Valor presente de dividendos que crescem para sempre. Exige pagadora estável e não vale para empresas cíclicas.
Fluxo de caixa descontado
Fluxo de caixa livre de 5 anos + perpetuidade, descontados, − dívida líquida, ÷ número de ações
Quanto vale o caixa que a empresa deve gerar, trazido para hoje. Não vale para bancos e seguradoras.
Múltiplos do setor
Mediana do setor (P/L, P/VP, EV/EBITDA) × números da empresa
Quanto a ação valeria se fosse negociada pela mediana dos múltiplos das empresas do mesmo setor. Precisa de pelo menos 4 empresas comparáveis.
Múltiplos históricos
Média de 5 anos dos próprios múltiplos × números atuais
Quanto a ação valeria se voltasse aos múltiplos da sua própria média de 5 anos.
Quando cada modelo se aplica
Bancos e seguradoras não usam fluxo de caixa descontado, e nos múltiplos do setor usam só P/L e P/VP. Empresas cíclicas (petróleo, mineração, siderurgia, papel e petroquímica) usam o lucro médio de 5 anos no Graham e não usam o modelo de Gordon. Empresas com prejuízo nos últimos 12 meses não usam Graham, Bazin nem Gordon. Quando falta um dado ou o resultado não faz sentido, o modelo aparece como "não se aplica", com o motivo.
Preço justo, selo e confiança
Os modelos se dividem em dois grupos. Graham, Bazin, Gordon, fluxo de caixa descontado e múltiplos do setor olham a empresa por fora; deles descartamos os muito fora da curva: acima de 2× ou abaixo de 0,5× a mediana do grupo. Os múltiplos históricos mostram quanto o mercado costuma pagar por essa empresa e nunca são descartados. O preço justo central é 50% o histórico e 50% a mediana dos outros modelos que sobraram (sem histórico, só a mediana). A faixa vai do menor ao maior deles.
A margem de segurança compara o preço justo com a cotação: (preço justo − cotação) ÷ preço justo. A ação está abaixo do valor quando a margem é de pelo menos +15%, acima do valor quando é de −15% ou menos, e no valor justo entre os dois. O selo descreve a distância entre o preço e a estimativa dos modelos; não é uma indicação de compra ou venda. Se restarem menos de 2 modelos depois dessa limpeza, não damos selo.
Empresas com prejuízo nos últimos 12 meses também ficam sem selo e sem preço justo. Sem lucro, vários modelos nem se aplicam e os que sobram costumam ser otimistas: no teste com o histórico de 2017 a 2025, as ações que receberiam o selo abaixo do valor mesmo com prejuízo renderam, no caso típico, 23% a menos que o Ibovespa em um ano, e só 29% delas superaram o índice. Os cálculos de cada modelo continuam na página da ação, só para consulta.
Nas páginas mostramos o potencial: quanto a cotação teria de subir ou cair para chegar ao preço justo, ou seja, (preço justo ÷ cotação) − 1.
Nas listas e no ranking, as ações de confiança mais alta vêm primeiro e, em cada nível, as de maior potencial (potenciais acima de 100% contam como 100%). No teste com o histórico, potencial muito alto quase sempre indicava um problema que os números não mostram: ordenar só pelo maior potencial teria rendido menos que o Ibovespa, enquanto ordenar pela confiança rendeu bem mais.
Confiança
A confiança diz o quanto o passado sustenta o selo. Ela olha duas coisas: se os modelos concordam entre si (quantos ficam a até 30% do preço justo) e se a empresa é estável o bastante para os modelos clássicos funcionarem. Para isso conferimos seis sinais nos últimos 5 anos:
- histórico completo de balanços;
- lucro positivo em todos os anos;
- lucro estável, sem grandes altos e baixos;
- lucro positivo nos últimos 12 meses;
- dividendos pagos em pelo menos 4 dos anos;
- finanças sólidas: patrimônio positivo e dívida líquida abaixo de 3× o EBITDA (para bancos e seguradoras, só o patrimônio).
A confiança é alta quando pelo menos 3 modelos concordam (e são a maioria) e a empresa cumpre os seis sinais; média com pelo menos 3 modelos e 4 sinais; e baixa nos demais casos. Ela também é baixa quando o preço justo fica mais de 3× acima da cotação ou abaixo de um terço dela, o que costuma indicar um lucro ou evento fora do normal.
O selo acima do valor nunca tem confiança alta, e em empresas estáveis (5 sinais ou mais) sua confiança é baixa: o mercado costuma pagar por elas mais do que os modelos clássicos calculam.
Testamos essa regra nos anos de 2017 a 2025, com ações negociando pelo menos R$ 1 milhão por dia: as ações abaixo do valor com confiança alta renderam, na mediana, 23 pontos percentuais acima do mercado nos 12 meses seguintes, e superaram o mercado em 70% dos casos. Resultado passado não garante resultado futuro. O teste ao vivo, com as fotos mensais dos selos, está no Histórico do método.
Oportunidades e placar
Todo dia útil, depois do fechamento da bolsa, o motor confere cada ação. Uma ação vira oportunidade de longo prazo quando está abaixo do valor, com confiança média ou alta, é negociada em pelo menos R$ 1 milhão por dia e o preço justo não passa de 3 vezes a cotação. Registramos a data, o preço do dia e o motivo (preço justo, potencial, confiança e sinais de qualidade).
Ela sai do radar quando passa 3 pregões seguidos fora da regra, por exemplo quando chega ao valor justo ou a confiança cai. A margem de 3 dias evita que uma ação entre e saia por pequenas oscilações. Se voltar depois, conta como uma oportunidade nova.
O placar mede quanto cada oportunidade rendeu desde o fechamento do dia em que apareceu, com dividendos e corrigido por desdobramentos, até hoje ou até sair do radar, e compara com o Ibovespa e o CDI no mesmo período. Também guarda o resultado depois de 1, 3, 6 e 12 meses, mesmo para as que já saíram. O resultado conta pela confiança do dia da entrada, sem corrigir o passado. As oportunidades que deram errado continuam no placar.
De onde vêm os dados
- Balanços e cadastro das empresas: CVM, dados abertos (DFP e ITR).
- Preços de fim de ano dos últimos 10 anos: arquivos históricos oficiais da B3 (COTAHIST).
- Cotação atual: brapi.dev, atualizada a cada 15 minutos durante o pregão.
- Selic e expectativa de inflação: Banco Central (SGS e Boletim Focus).
- Juro real de longo prazo: taxas do Tesouro IPCA+ publicadas pelo Tesouro Direto.
O que o precify não faz
Não recomendamos comprar nem vender. Modelos matemáticos não sabem de notícias, mudanças de estratégia ou riscos que não aparecem nos balanços. Units (como TAEE11) ainda não são avaliadas.
Os valores são estimativas de modelos matemáticos sobre dados públicos e não constituem recomendação de investimento.

